Setrem participa de Dia de Campo do Agronegócio na Expo Terneira 2022

Espaço da instituição apresentou parcelas de cultivares de trigo e triticale e abordou sobre controle biológico de pragas

A Setrem participou, na tarde desta quarta-feira, 21 de setembro, do Dia de Campo do Agronegócio na Expo Terneira. No estande da instituição, no Espaço Agro, os produtores conferiram as parcelas de cultivares de trigo e triticale e também conheceram sobre controle biológico de pragas. Os assuntos foram apresentados pelo coordenador do curso de Agronomia da Setrem, Marcos Caraffa, e pela professora do curso de Agronomia Cinei Riffel.

Caraffa explicou que o espaço da Setrem conta com parcelas de cultivares de trigo e triticale da Embrapa Trigo, desenvolvidos pelo Centro Nacional de Pesquisa de Trigo, de Passo Fundo, dentre eles o BRS Reponte, BRS TR271 e BRS Zênite (triticale). A instituição possui uma parceria de 17 anos com a Embrapa Trigo.

“Mostramos aos participantes a importância que existe na física do solo, abordando sobre solo compactado e problemas de desenvolvimento vegetativo das plantas em função da restrição do sistema radicular. E demonstramos aqui, nas parcelas, os materiais genéticos da Embrapa Trigo, que têm ótimos resultados de rendimento de grãos, assim como ocorre nos ensaios de todo país. São altamente produtivos, ou seja, trigo de qualidade, grãos com qualidade de panificação excelente e com boa resistência à ferrugem e ao oídio, que neste ano afetou as lavouras”, acrescentou.

O profissional também apresentou aos produtores sobre o triticale. “A construção de uma nova usina de etanol da BSBios, em Passo Fundo, demandará a produção deste cereal. Ele é uma alternativa de renda”.
Ele ainda esclareceu sobre a revisão de algumas práticas na cultura da soja, como o espaçamento entre linhas. “Antigamente trabalhávamos com semeadeira de trigo, contendo 17 centímetros entre linhas de semeadura. Usava-se 34 centímetros de entrelinhas da semeadeira, pois fechava-se uma das linhas para cultivo de soja, já que não se tinha alternativa de pneu estreito para pulverização. Com o surgimento do pneu estreito, a indústria passou a trabalhar as semeadoras com 45 a 50 centímetros de espaçamento.

Passando de 34 para 50 centímetros, mantendo a mesma densidade de plantas, aumenta-se o número de plantas na linha de cultivo. Então, por exemplo, se tenho 50 centímetros de espaçamento com 30 plantas por metro quadrado, são 15 plantas no metro de linha, que começam a competir umas com as outras em radiação solar, água e nutrientes, o que chamamos de competição intraespecífica, pois acontece dentro da espécie”.

Logo, se mudar este espaçamento para 25 centímetros, conforme Caraffa, passa-se a ter sete plantas por metro de linha, melhor distribuídas, e com isso tem-se um maior aprofundamento do sistema radicular, um fechamento de linhas mais rápido, menor perda de água, o que acaba abafando o desenvolvimento das plantas concorrentes, ou seja, tendo o melhor herbicida que existe: sombreamento”, ressaltou.

Ele seguiu explicando que existe uma infinidade de pesquisas que mostram que, reduzindo de 50 para 25 centímetros o espaçamento entre linhas, há um aumento de 20 a 25% o rendimento de grão, apenas com uma prática de processo, sem tecnologia de produto. E isso, segundo Caraffa, passa a ser propiciado com o uso de drone, que é uma realidade que bate à porta a fim de maximizar resultados sem aumento significativo de custos.

Setrem conta com laboratório de produção de agentes de controle biológico de pragas

A estação da Setrem também contou com uma reflexão sobre o controle biológico de pragas em culturas como trigo, canola, milho e soja. “Temos na Setrem a Acobio, que é o laboratório de agentes de controle biológico da instituição, que produz inimigos naturais para controle de lagartas e percevejos e agora mais recentemente de inimigos naturais para controle de pulgões”, disse o coordenador do curso de Agronomia da Setrem.

Neste processo, o uso de inimigos naturais dispersados por meio de drone na agricultura tem se tornado uma realidade na região. A professora Cinei destacou que o drone é um equipamento que permite inserir o inimigo natural das pragas e doenças na lavoura com maior precisão e agilidade. “É uma prática de agricultura de precisão. A vinda do drone trouxe uma série de benefícios, até para o inimigo natural. Dentre as vantagens de utilização do agente de controle biológico, posso citar a sustentabilidade às lavouras e a qualidade dos alimentos produzidos”.

De acordo com Cinei, desde 2016 a Setrem produz os inimigos naturais em laboratório. “Inicialmente era feita a reprodução do Trichogramma pretiosum, que é um parasitoide de ovos de mariposas, que são os insetos que darão origem às lagartas em diversas culturas. Elas consomem repolho, verduras e estão presentes na fruticultura. Estes parasitoides de ovos necessitam entrar nas lavouras antes que os ovos da mariposa se transformem em lagarta”.

Praticando agricultura de precisão, colocando o produto certo na hora certa, que é liberar antes que vire lagarta, o controle biológico traz muitas vantagens, assegurou a professora. “É agricultura limpa, que faz o indivíduo permanecer na lavoura, pois vai se reproduzindo, ou seja, existe um poder residual grande que pode persistir durante todo o ciclo da cultura. Isso percebemos nos ensaios que conduzimos”.

O laboratório da instituição também reproduz o inimigo natural de percevejo, que é uma microvespa que faz o controle das principais pragas na soja. E, recentemente, estão sendo realizadas pesquisas de joaninhas, que são os insetos que fazem o controle biológico de pulgões. Desde 2021, a Acobio (Agentes de Controle Biológico) é uma empresa que integra a Incubadora Setrem.

Utilização de drone para dispersão

Aliado a isso, o estande da Setrem no Espaço Agro também conta com explanações sobre a forma de liberação dos inimigos naturais, por meio de drone, que os dispersa nas lavouras com maior eficiência.

A Setrem possui uma parceria com o engenheiro agrônomo Alexandre Konzen, de São Martinho, que realiza o controle biológico com o drone. Ele afirmou que o equipamento conta com um dispenser, que é acoplado no trem de pouso do drone e calibrado no laboratório, onde são colocados os micro ovos. “É montado um plano de voo voltado à área a ser tratada, depois analiso e aplico. Este processo é rápido e prático. O micro ovo é bem leve; uma grama de ovos tem 36 mil indivíduos, que vão eclodir e fazer o controle biológico”, comentou.

Conforme Konzen, o uso de drone para a realização do controle biológico de pragas não onera o processo, pois é bem em conta economicamente se comparado com outros insumos e operação de um pulverizador, por exemplo. “Como o inseto tem um raio de voo de 15 metros, o equipamento é programado para fazer uma dispersão a cada 15 metros. Do ovo eclode a microvespa, que parasitará os ovos de lepidoptera. É uma tecnologia eficiente e ecologicamente correta”, finalizou.

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